As palavras em destaque estão explicadas após a transcrição.
Transcrição
Olá, pessoal. Tudo bem?
Quanto tempo! Este é um pequeno vídeo que estou fazendo pra dizer pra vocês que, apesar de eu não ter postado já há algum tempo, eu ainda ‘tô na área[1], eu ‘tô por aí ainda.
Eu tive que me afastar do blog por motivos pessoais e profissionais, mas eu quero dizer pra vocês que mais vídeos vêm por aí. Então eu quero pedir a vocês que continuem ligados[2] porque eu vou continuar postando. Foi uma parada momentânea, mas eu volto em breve.
Então é isso. Espero que vocês todos estejam bem, e espero poder postar novamente em breve pra a gente a nossa série de Português para estrangeiros. ‘Tá ok?
Então até mais. Um abraço. Tchau-tchau.
De olho no vocabulário!
1. ‘tô na área (expressão)
Esta expressão idiomática brasileira significa “estou por perto”, “estou vivo”, “estou ativo”. Esta frase é usada em situações informais.
Sobre a forma reduzida ‘tô:
‘tô
No português falado é comum abreviarmos a pronúncia das formas do verbo ‘estar’ para apenas uma sílaba. Este um uso informal, do dia-a-dia:
está > ‘tá estou > ‘tô estão > ‘tão estava > ‘tava, etc.
2. continuemligados (expressão)
Em inglês, se traduz com ‘stay tuned’.
Aqui a palavra ‘ligado’ significa “em sintonia”, “atento”.
Por exemplo, se você gosta muito de esporte, você fica ligado nas notícias para se informar sobre esporte.
As palavras em destaque estão explicadas após a transcrição.
Transcrição:
Olá, pessoal. Tudo bem?
Eu vou contar pra vocês sobre duas coisas muito simples, mas muito gostosas[1], que eu fiz esse fim de semana.
É...eu fui ao cinema com uma amiga minha. A gente[2] foi assistir aquele filme “Agente 86”, que é baseado na série de televisão que eu gostava muito na época que passava na televisão. Eu achava muito engraçado.
E o filme é igualmente hilário, é muito engraçado. Você dá muita risada. O ator que faz o Maxwell, que é o personagem principal, ele é muito bom, ele é bastante convincente[3]. A parceira dele no filme tem uma química com ele muito legal.
Então a primeira metade do filme é absolutamente engraçada. Eles usam algumas das piadas que são usadas na série de televisão. Eles transferem essas piadas pro cinema. E eles obviamente adaptam essas piadas pro humor de hoje e pra tecnologia de hoje. Então muita das...muitas daquelas piadas que são usadas nos anos 70, são adaptadas pra tecnologia de hoje de uma maneira bastante inteligente, eu achei.
A segunda metade do filme é mais de ação, e também é bastante emocionante. De forma que foi uma...um filme bastante agradável de se ver. É sempre bom a gente rir, né?
Depois do filme, a gente foi a um café. Aqui no Brasil...ahn...a idéia de café não é como nos Estados Unidos ou em outros países, que é um restaurante. Um café, aqui, é um coffeeshop. Só que esse café que eu e minha amiga fomos após o cinema é uma mistura de coffeeshop com restaurante.
E curiosamente a gente começou a nossa farra[4]gastronômica[5] pela sobremesa[6]. Eu estava louco[7] pra comer uma torta de mousse de chocolate. Fazia tempo já que eu ‘tava querendo comer essa torta.
E eu, chegando lá, eles ‘tavam sem[8] essa torta. Eles não tinham essa torta. Eles tinham, na realidade, um bolo de mousse de chocolate. E foi o que eu pedi. O bolo de mousse de chocolate, com uma xícara de café com leite. A minha amiga pediu uma batida de chocolate com conhaque e um pão que eles esquentam na hora[9]. Muito gostoso[1].
Bom, depois de comido isso, eu pedi o prato principal[10]. Eu comecei pela sobremesa. Pedi o prato principal que foi um penne ao molho fungi. Estava simplesmente maravilhoso. O penne estava al dente, o molho fungi, cremoso, com um toque de vinho tinto[11].
E foi uma noite, assim, absolutamente muito deliciosa, com duas coisas simples, mas que, no fundo[12], que a gente se divertiu muito com elas.
Então é isso. Até a próxima.
Tchau-tchau.
De olho no vocabulário!
1.gostoso
A palavra ‘gostoso’ tem dois significados principais.
a. que tem sabor bom. b. agradável, que dá prazer
Note como o Eduardo utiliza as duas acepções em sua fala:
a. Fizemos duas coisas muito gostosas. b. [O pão que eles esquentam na hora] é muito gostoso.
2.A gente
No português coloquial, o pronome A GENTE significa exatamente o mesmo que o pronome NÓS. A única diferença é que os verbos que acompanham estes pronomes seguem conjugações distintas.
A GENTE segue o mesmo padrão de conjugação dos pronomes ‘ele / ela / você’, ou seja, a terceira pessoa do singular, enquanto NÓS segue a conjugação da primeira pessoa do plural:
>> Ele / Ela / Você / A GENTE sabe. >> NÓS sabemos.
>> Ele / Ela / Você / A GENTE é. >> NÓS somos.
Compare as duas formas:
A gente sabe que a língua estrangeira mais estudada é o inglês. Nós sabemos que a língua estrangeira mais estudada é o inglês.
Ou seja, o pronome A GENTE tem significado plural, mas o padrão de conjugação no singular.
*Note que A GENTE (=nós) é grafado diferentemente de AGENTE (=agent)
3.convincente = que convence, em que é possível acreditar
4.farra = festa, bagunça
No contexto do vídeo, ‘farra’ traduz aproximadamente como ‘binge’, em inglês.
5.gastronômica = relativo à comida
6.sobremesa = dessert
7.Eu estava louco pra comer
em português, ‘estar louco’ por algo significa querer muito alguma coisa.
8.eles estavam sem essa torta
Estar sem significa ‘não ter’.
9.na hora
A expressão ‘na hora’ significa ‘no mesmo instante’, ‘imediatamente’.
Os jogadores brasileiros mencionados neste vídeo são Vavá, Didi, Pelé, Mané Garrincha, Zagallo e Bellini. Também são mencionados Marco Aurélio e Fiola, respectivamente massagista e técnico da equipe brasileira.
Os jogadores suecos mencionados neste vídeo são Liedholm e Simonsson.
As palavras em destaque estão explicadas após a transcrição.
Transcrição:
Vavá luta.
Didi põe no meio das pernas[1] do zagueiro. Entrega à Garrincha. Aí vem Pelé em seus 17 anos. Ele quer jogar[2].
Mas quem marca primeiro é a Suécia. Liedholm, cheio de cintura[3], faz 1 a 0, aos 4 minutos.
Ledo engano[4]: Didi lança Garrincha. Fominha[5] , chuta[6] pra fora.
No lance[7] seguinte, ele dribla[8] o João[9] sueco e cruza para Vavá empatar o jogo, aos 8 minutos.
O mesmo lance, em câmera lenta. Repare que Pelé quase consegue tocar antes de Vavá.
Lá vai Mané e suas pernas tortas. O Brasil se solta[10] e a bola bate no travessão[11].
Aos 32 minutos, Garrincha faz o repeteco[12] da jogada do primeiro gol. Vavá faz Brasil 2 a 1.
...
Segundo tempo. A Suécia vai em busca[13] do empate. Mas os suecos não são tão bons quanto imaginam.
Garrincha toma a bola e faz uma graça[14].
Zagallo levanta para a área e Pelé faz um dos gols mais impressionantes de toda história do futebol mundial.
O Brasil se solta definitivamente, e Garrincha quase faz o seu.
Zagallo bate o escanteio[15]...
...e divide com o goleiro para fazer o quarto gol do Brasil.
A Suécia não se entrega[16], mas não tem time[17].
Mesmo assim, vai à frente e marca seu segundo gol, com Simonsson, aos 35 minutos.
Mané brinca com seus Joões e sofre penalty.
O juiz finge que não é com ele[18], e o jogo segue.
Vavá precisa de água. Marco Américo volta para o banco.
Bola pra frente[19], Fiola!
Zagallo levanta na área, Pelé sobe para fazer o quinto gol do Brasil e aniquilar[20] qualquer pretensão[21] sueca.
São 45 minutos do segundo tempo e o Brasil é campeão mundial pela primeira vez.
...
Estas imagens, todos nós conhecemos.
O abraço emocionado de Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação. E o Rei Gustavo desce para cumprimentar os jogadores.
O mesmo que passar a bola entre as duas pernas do adversário (=opponent).
2. Ele quer jogar.
ele está com disposição, vontade, determinação de jogar.
3. cheio de cintura
Em português, a cintura (waistline) é usada metaforicamente como sinal de flexibilidade, habilidade, destreza, rapidez no uso do corpo ou da mente. Neste contexto, o jogador da Suécia demonstrou muita habilidade, muita destreza com a bola ao marcar o seu gol.
4. ledo engano
O adjetivo ledo significa alegre, contente. Ele é comumente usado em associação com o substantivo engano.
Dizemos ‘ledo engano’ quando o resultado de uma situação não é tão bom ou satisfatório como imaginávamos que seria.
5. fominha
Diminutivo de ‘fome’, a palavra fominha funciona como adjetivo e é uma expressão típica do futebol para designar jogador egoísta que prioriza as jogadas individuais.
6. chuta
Do verbo ‘chutar’, significa acertar a bola com o pé. É a forma verbal do substantivo ‘chute’. O substantivo ‘chute’ tem sua origem na palavra inglesa ‘shoot’.
7. lance = jogada, acontecimento em esporte.
8. dribla
Do verbo driblar = to dribble
9. João
Nota cultural: Mané Garrincha tinha uma habilidade fenomenal, sendo considerado um dos maiores jogadores em sua posição de toda história do futebol. Ele era capaz de executar dribles desconcertantes com muita facilidade, sem que os adversários conseguissem tomar a bola de seus pés. Ele se referia aos seus adversários como ‘João’, que é um nome bastante comum no Brasil. Ou seja, para ele não fazia diferença quem estava à sua frente, pois ele com certeza executaria seus dribles desconcertantes.
Garrincha vinha de uma origem muito pobre, muito humilde. Ele não tinha muita consciência ou conhecimento sobre questões como geografia ou história. Desta forma, qualquer jogador, de qualquer lugar do mundo, mesmo que muito importante, para Garrincha era mais um João, mais um qualquer, em quem ele aplicava seus dribles históricos.
10. O Brasil se solta
O verbo ‘soltar-se’ significa, entre outras coisas, sentir-se mais à vontade, mais livre, mais espontâneo.
11. travessão = trave (=goal post)
12. repeteco
Palavra informal para dizer ‘repetição’, replay de uma jogada.
13. A Suécia vai em busca
A locução ‘ir em busca’ significa lutar, tentar conquistar, tentar alcançar.
14. faz uma graça
A expressão ‘fazer uma graça’ significa fazer uma brincadeira, fazer algo tentando atrair a atenção de alguém ou então para provocar risos.
15. escanteio = corner
16. A Suécia não se entrega
O verbo ‘entregar-se’ significa sucumbir, render-se, dar-se por vencido.
17. não tem time
Dizemos que uma equipe ‘não ter time’ quando esta equipe não é boa o suficiente para enfrentar outra equipe.
18. O juiz finge que não é com ele
Quando alguém ‘finge que não é com ele/ela’, esta pessoa não assume a responsabilidade que lhe cabe.
19. bola pra frente!
Esta expressão é usada para estimular, para dar ânimo e coragem a alguém.
Nesta peça, o Marcelo Médici representa 6* personagens[1] do dia-a-dia, que na verdade são 6 arquétipos do cotidiano da vida das pessoas. Só que eles[1] são representados de uma maneira bastante caricaturesca. A caricatura destes personagens[1] é representada de uma maneira bastante forte. E a platéia se identifica muito com o texto. Então a peça é muito engraçada
Foi a segunda que eu fui assistir. Eu me diverti muito, eu quase morri de dar risada[2]. E todo mundo que estava na platéia também se identificou com o texto, que é desenvolvido pelo próprio ator, Marcelo Médici, que é um ator fenomenal. Ele tem um timing muito bom, ele tem uma técnica vocal excelente. Ele é um grande ator que faz as pessoas rirem muito.
E...este tipo de comédia é um tipo de comédia bastante difundido no Brasil hoje em dia. Ele ganhou popularidade há coisa de[3] oito anos atrás, eu acredito. Primeiramente em cidades como Rio, São Paulo, em que alguns grupos de teatro surgiram desenvolvendo este humor, parecido um pouco com o stand-up comedy americano.
Só que este tipo de humor à brasileira[4]ele[5] apresenta algumas personagens fictícias[1], que contam uma história pra platéia, uma história baseada na vida real. Só que, evidentemente, como eu disse antes, de uma forma caricaturesca. Então este tipo de comédia ganhou popularidade muito rapidamente aqui no Brasil.
E....no nome, no título “Cada Um Com Seus Pobrema”, vocês podem observar que a palavra ‘pobrema’ é uma forma estigmatizada da palavra ‘problema’. Esta palavra ‘pobrema’, esta forma ‘pobrema’, é normalmente associada a pessoas de baixa escolaridade[6], de baixo grau de instrução[7].
E...além de estar pronunciada desta forma, ela está usada no singular. E o correto, segundo a gramática, deveria ser no plural, porque o pronome ‘seus’ está no plural. O substantivo ‘problema’ deveria estar no plural, ‘problemas’. Mas ele se encontra no singular e ele se encontra pronunciado de uma maneira estigmatizada, ‘pobrema’.
Seus problemas [certo - plural + plural] Seus pobrema [errado - plural + singular]
Isto é usado de uma maneira proposital...é...quando a gente quer...é...empregar humor à[8] frase. Isto é usado pra efeito de humor, como é o caso do título da peça “Cada Um Com Seus Pobrema”. O título está errado propositalmente, pra poder empregar humor, pra efeito de humor.
A frase “cada um com seus problemas” ela[5] é geralmente usada quando a gente quer dizer que a gente não se importa com o problema de outra pessoa que nos afeta.
Então por exemplo, suponhamos[9] que eu vá[10] a um restaurante com uma amiga minha e que neste restaurante o garçom trata[10] a gente de uma maneira desrespeitosa, ou de uma maneira grosseira[11]. A minha amiga fica brava[12]. Mas eu tento acalmá-la e tento explicar pra ela que o garçom talvez esteja[10] de mau humor, o garçom talvez esteja num dia ruim, o garçom talvez esteja com algum problema, o que justificaria o fato dele[13] nos tratar mal.
Só que a minha amiga não aceita essa justificativa. Ela continua brava e ela diz: “Cada um com seus problemas!”
Isso quer dizer: “Eu não me importo com o problema dele. Cada um com os seus problemas. Eu tenho o meu problema, ele tem o problema dele. Isso não justifica ele me tratar grosseiramente."
Daí[14] o título da peça. Na peça, as 6 personagens representadas[1] pelo Marcelo Médici elas[5] têm um problema. Elas ‘tão contando uma história em que elas têm um problema. Então, o por isso da peça se chamar “Cada Um Com Seus Pobrema”. ‘Tá ok?
Então era isso que eu queria contar pra vocês hoje. E até o próximo vídeo então, pessoal.
Tchau-tchau.
*Na verdade, a peça apresenta 8 personagens (e não 6, como o Eduardo disse)
De olho no vocabulário!
1.personagem
A palavra ‘personagem’ pode ser tanto feminina quanto masculina. As duas formas estão corretas no português. Note como o Eduardo trata a palavra tanto no masculino quanto no feminino nas frases abaixo:
> Eles são representados. (masculino) > A caricatura destes personagens. (masculino) > Este tipo de humor apresenta algumas personagens fictícias. (feminino) > As 6 personagens representadas pelo Marcelo Médici têm um problema. (feminino).
2.Eu quase morri de dar risada = eu ri muito.
Estas expressões significam ‘rir muito’:
> morrer de dar risada > quase morrer de dar risada > morrer de rir > quase morrer de rir
3.coisade = mais ou menos; aproximadamente; algo em torno de
A expressão ‘coisa de’ é usada para se referir de maneira vaga a quantidades, como por exemplo de tempo ou dinheiro:
> Isso custa muito dinheiro, coisa de bilhões de dólares.
4.à brasileira
A letra ‘a’ usada com o acento grave (à) indica a fusão da preposição a com o artigo definido feminino a. Neste caso, ‘à’ significa “ao estilo de”, “à maneira de”. Por exemplo:
> Eliana calçava um sapato à Luis XV (15). [=Eliana calçava um sapato à moda de Luis XV] > Fizemos um churrasco à gaúcha. [=Fizemos um churrasco à maneira gaúcha]
5.Este tipo de humor à brasileira ele apresenta algumas personagens fictícias.
Note como o pronome 'ele'não é necessário para a compreensão da frase:
> Este tipo de humor à brasileira ___apresenta algumas personagens fictícias.
O uso de pronome seguido do sujeito para se referir ao próprio sujeito á característico do português falado. No português escrito este uso não é necessário. Veja outros exemplos:
> A frase “cada um com seus problemas” ela é geralmente usada quando a gente quer dizer que a gente não se importa com o problema de outra pessoa.
> As 6 personagens representadas pelo Marcelo Médici elas têm um problema.
6.escolaridade = aprendizado na escola; conhecimento adquirido na escola
A letra ‘a’ usada com o acento grave (à) indica a fusão da preposição a com o artigo definido feminino a.
Neste caso, a fusão acontece pela seguinte construção com o verbo ‘empregar’:
empregar (X) a(Y) empregar (humor) a (a frase)
empregar humor a + a frase => empregar humor à frase.
9.suponhamos
Esta é a forma do subjuntivo do presente do verbo ‘supor’. Neste contexto, ‘suponhamos’ expressa uma ordem, algo como ‘vamos supor’ (=let’s suppose). Compare:
Veja como na frase abaixo o verbo ‘ir’ está usado na primeira pessoa do singular do presente do subjuntivo, ‘eu vá’:
> Suponhamos que eu vá a um restaurante com uma amiga.
Neste caso, o subjuntivo indica uma suposição de uma ação que não se concretizou, de uma ação discutida no plano da hipótese, da suposição. Compare:
Eu vou (presente do indicativo) Eu vá (presente do subjuntivo)
Note que, logo em seguida, o Eduardo usa o verbo ‘tratar’ na terceira pessoa do singular do presente do indicativo, ‘ele trata’:
> Suponhamos que eu vá a um restaurante com uma amiga minha e que o garçom trata a gente de uma maneira desrespeitosa.
Segundo a gramática tradicional, o Eduardo deveria ter usado a forma do presente do subjuntivo, ‘ele trate’, para indicar a hipótese de uma ação não concretizada. Compare:
Ele trata (presente do indicativo) Ele trate (presente do subjuntivo)
Mais adiante, o Eduardo volta a usar o presente do subjuntivo, desta vez com o verbo ‘estar’, na terceira pessoa do singular.
> Mas eu tento acalmar a minha amiga e tento explicar pra ela que o garçom talvez esteja de mau humor.
Aqui o subjuntivo é usado para expressar certeza, convicção (ou o contrário, incerteza, descrença) de que algo seja concreto ou real. No caso do Eduardo, ele suspeita (mas não tem certeza) que o garçom esteja de mau humor, o que explicaria seu tratamento ruim.
As palavras em destaque estão explicadas após a transcrição.
Transcrição:
Olá, pessoal. Tudo bom?
O papo[1] hoje é ecologia, atitudes ecologicamente corretas.
Eu acabei de[2] chegar do mercado, onde eu fiz uma comprinha[3], e no caminho eu fiquei pensando sobre as inevitáveis sacolinhas plásticas de supermercado que a gente carrega as compras pra casa.
E...eu fiquei pensando nelas porque, segundo os ecologistas, elas são um agente poluidor muito grave, porque elas demoram muito tempo pra se deteriorarem, pra desintegraram no solo, na terra. Então elas deveriam ser evitadas ou então eliminadas, segundo esses ecologistas.
Muitas pessoas no Brasil estão adotando algumas atitudes, como levar de sua casa uma sacola de nylon grande que caiba toda a compra, ou então um carrinho, aqueles carrinhos de feira[4] que a gente usa no Brasil, pra trazerem pra casa a compra e não carregarem, desta forma, aquelas sacolinhas plásticas, não usarem as sacolinhas plásticas.
Eu acho uma idéia muito boa. Eu sou sempre a favor de idéias que possam poluir menos, que possam gastar menos. É...no meu caso, fica bem complicado, porque eu não...eu faço compra esporadicamente[5]. Eu faço compras pequenas quando eu venho da rua, quando eu ‘tô passando...é...quando eu venho de uma aula, antes de chegar, eu passo no mercado e compro alguns itens, algumas coisas que eu preciso.
Então fica complicado pra mim pra eu carregar uma sacola de nylon grande comigo o dia inteiro até eu chegar no mercado pra poder comprar alguma coisa e trazer nessa sacola. Eu gostaria muito de poder contribuir pra causa, mas fica complicado pra mim.
E...aqui no Brasil, muitas pessoas, muitas famílias, eu quero dizer...é... fazem a compra do mês. Então eles compram uma vez por mês, eles fazem uma grande compra pra casa inteira, pra família inteira. E eu acho que essas famílias têm como planejar, trazerem o mínimo possível de sacolas plásticas.
O que eu faço, da minha parte é, quando eu compro alguma fruta no supermercado...é... Não sei se vo-...onde vocês moram vocês têm isso: em cada...é...no setor de frutas, em cada barraca[6] de fruta, você tem aqueles plásticos...é...transparentes, onde você põe a fruta dentro. E, depois, aqueles plásticos...você põe a sua compra ainda dentro de outro...da outra sacola plástica com logomarca[7]...com a logomarca do supermercado nela.
Então você, na realidade, ‘tá...está carregando dois tipos de sacola plástica. O que eu procuro fazer é, quando eu compro fruta, eu trago ela pro caixa na hora de pagar sem aquele saquinho transparente branco. E só então coloco na sacola plástica do supermercado, com o logotipo do supermercado. E procuro trazer o mínimo de sacola plástica possível, mas isso é quase impossível pra mim.
A outra coisa que eu queria falar é...existem uma...existe uma outra...uma outra corrente de pensamento que diz essas sacolas plásticas não são assim um terror tão grande[8], que elas são feitas com o...o que existe de pior do petróleo – que elas são origina-...originadas do petróleo, é um produto do petróleo – e que elas são feitas com o lixo do petróleo, digamos assim[9]. E que, na realidade, elas não causam tanta poluição assim[8], como alguns ecologistas nos fazem acreditar.
De qualquer modo, eu procuro evitar o máximo o uso de sacolinhas, muito embora seja pra mim quase impossível. Especialmente porque elas não são recicláveis também. Eu gostaria que os supermercados no Brasil investissem[10] mais dinheiro pra fazer sacolas plásticas recicláveis. Dessa forma, acho que o impacto ecológico seria menor.
Mas também eu me pergunto se essas sacolas plásticas recicláveis não são mais caras, e isso aumentaria o custo do supermercado, que repassaria esse custo pro consumidor. Também a gente sairia perdendo.
Como vocês vêm, é uma...é uma...é uma situação complexa, eu não tenho a resposta pra ela. Mas eu me sinto às vezes um pouco culpado de trazer sacolinhas de plástico pra casa, mas infelizmente no momento eu não encontro opção.
Quem sabe num próximo vídeo eu consiga fazer um vídeo pra vocês falando sobre uma solução pra essa minha pergunta. ‘Tá bom?
Então era isso só que eu queria comentar com vocês. Espero que vocês estejam bem fazendo as suas compras e utilizando o menos possível de sacolinha plástica de mercado. ‘Tá bom?
Um abraço. Tchau-tchau.
De olho no vocabulário!
1.papo
No português informal, a palavra papo significa uma ‘conversa informal’, ‘troca de idéias’. Alguns termos bastante comuns com a palavra ‘papo’ são:
papo-furado – nonsense; bullshit papo-cabeça – uninteresting, sometimes arrogant, conversation, typical of pointy-headed people. o verbo ‘bater papo’ – ou chat, em inglês.
Ao usar a palavra ‘papo’, o Eduardo tenta dizer que o que o assunto que ele tem a dizer pode ser desinteressante para algumas pessoas.
2.acabei de chegar do mercado
A expressar ‘acabar de +verbo infinitivo’ significa que algo aconteceu há pouco tempo. Exemplo:
Acabei deacordar. I just woke up.
3.comprinha
Aqui o diminutivo ‘comprinha’, expressa uma compra com poucos itens, uma compra pequena. É um uso informal.
4.carrinho de feira
5. esporadicamente = raramente, poucas vezes, de maneira infreqüente
6. barraca de fruta = fruit stand
7. logomarca = logo
8.
elas não são assim um terror tão grande = they are not that big a terrible thing elas não causam tanta poluição assim = they don’t cause that much pollution
Veja como a palavra ‘assim’ pode ser posicionada de duas formas, após o verbo ou ao final da frase:
elas não são assim um terror tão grande. elas não são um terror tão grande assim.
elas não causam tanta poluição assim elas não causam assim tanta poluição
9. digamos assim = let’s put it this way; so to speak
10. investissem
Veja na passagem abaixo a mesma estrutura verbo subjuntivo+ condicional discutida nos meus vídeos “O que eu faria se...”.
Eu gostaria que os supermercados no Brasil investissem mais dinheiro pra fazer sacolas plásticas recicláveis. Dessa forma, acho que o impacto ecológico seria menor. Mas também isso aumentaria o custo do supermercado, que repassaria esse custo pro consumidor. Também a gente sairia perdendo.
As palavras em destaque estão explicadas após a transcrição:
Transcrição:
E aí, turma! Como vai? Tudo bem?
Eu vou falar neste vídeo sobre como o mundo seriase tudo tivesse sido diferente.
Em primeiro lugar, um assinante do meu blog me escreveu pra dizer que o mundo seria diferente se não houvesse a internet.
E eu digo que, se a internet não tivesse sido criada, eu não poderia fazer este blog pra vocês
A música é uma expressão artística muito importante para o brasileiro. E eu, como bom brasileiro, gosto muito da música do Brasil. Eu gosto da música brasileira pela sua abundância, pela sua qualidade, e pela sua diversidade. E essa diversidade da música brasileira eu atribuo às[1] várias influências, de várias etnias que migraram para o Brasil durante muitas décadas.
Se o Brasil não tivesse recebido todas essas etnias, de tantos lugares diferentes, talvez a música brasileira não seria hoje tão importante.
A cidade de São Paulo e o estado de São Paulo receberam gente de todo o Brasil, gente de todo o mundo, que veio pra cá em busca de oportunidades. Primeiramente por causa do ciclodo café[2]. As fazendas de café, muitos séculos atrás, elas originavam, elas geravam muita riqueza e isso atraiu muita gente. Mais tarde, por causa da implementação das indústrias e das fábricas na cidade de São Paulo, em específico, a cidade de São Paulo recebeu muita gente em busca de trabalho, em busca de oportunidades.
Se a cidade de São Paulo não tivesseacolhido[3] esse contingente[4] enorme de pessoas, talvez hoje a cidade não seria tão grande e com tantas oportunidades.
O Marquês de Pombal foi um secretário do governo português de Carlos I*, em meados[5] do século XVIII(18). Esse mesmo secretário, o Marquês de Pombal, ele promoveu uma lei no Brasil na época, em 1757, que proibia o uso da língua geral que se falava no Brasil, uma língua chamada Nheengatu, ou língua geral.
Essa língua geral era falada pela maioria dos brasileiros e era uma mistura de línguas indígenas com a língua portuguesa. Basicamente o Nheengatu era esta mistura.
Mas o Marquês de Pombal proibiu o uso do Nheengatu, da língua geral, e permitiu apenas o uso do português, numa tentativa de controlar culturalmente a colônia, que o Brasil na época era de Portugal.
Alguns estudiosos, alguns historiadores acreditam que, se o Nheengatu não tivesse sido proibido, talvez hoje o Brasil seria um país bilíngüe.
Então é isso que eu queria falar pra vocês. Até o próximo vídeo.
Espero que vocês estejam bem.
Tchau-tchau!
* O Eduardo está errado: O Marquês de Pombal foi Ministro do Imperador José I (e não de Carlos I!)
De olho no vocabulário!
1.às várias influências
Note que o artigo plural 'as' está grafado com o acento grave(`). O acento grave indica uma 'crase', ou seja, uma contração de duas palavras.
Neste caso, as palavras são:
->preposição A + artigo AS -> a + as = às
A preposição 'a' é parte do verbo 'atribuir'. Depois do verbo 'atribuir', nós usamos uma preposição. Por exemplo:
Eu atribuo este problema a eles.
No caso da frase "às várias influências" temos a seguinte situação:
...eu atribuoa asvárias influências. (a as = to the > às)
A frase 'várias influências' está no feminino e no plural. Por esse motivo, usamos o artigo feminino plural 'as'.
Se o substantivo seguinte estiver, por exemplo, no masculino não ocorre a crase, apenas a junção das palavras.
...eu atribuo isso aos nossos problemas.
Note:
A + a = à A + as = às A + o = ao A + os = aos
2.ciclo do café
Período entre os séculos XIX e XX (19 e 20) em que a indústria do café no Brasil teve uma grande expansão, e os produtores de café dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro ganharam importância política.
3. tivesse acolhido
Do verbo 'acolher' = oferecer hospitalidade, proteção, ajuda; recepcionar.
Thanks for stopping by! This blog features videos for learners of the Portuguese language at an intermediate level and above.
Transcript and commentary on key vocab accompany each video. Portuguese is the primary language, though English may be referenced for the sake of comparison.
I talk more about my blog in the intro video #1.
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Obrigado por visitar meu blog! Nele você poderá assistir vídeos destinados a alunos de língua portuguesa como língua estrangeira. O material é especialmente dirigido àqueles que tenham pelo menos conhecimento
intermediário da língua. Cada vídeo traz transcrição e comentários. Os comentários são em sua maior parte feitos em português, embora o inglês seja por vezes usado para efeito de comparação. No vídeo de apresentação no. 1 eu explico mais sobre este blog.
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